CÂNCER INFANTIL

LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA- LLA

Autora: Emma Chen Sasse
Pediatra

O QUE É?

Leucemia é o câncer dos glóbulos brancos que são produzidos na medula óssea. Por alguma razão, algo acontece de errado (uma mutação) que o organismo não consegue corrigir e a célula alterada, chamada de blasto, começa a se multiplicar dentro da medula óssea substituindo o tecido normal que produz sangue e elementos para coagulação. Estes blastos começam a sair para a circulação sangüínea, onde são detectados. O exame inicial para sua detecção é o hemograma completo.

INCIDÊNCIA

As leucemias são os cânceres infantis mais comuns, representando 30-35% do total de doenças malignas, sendo que a LLA representa por volta de 75% dos casos de leucemia e o pico de incidência ocorre aos 3-4 anos. Ocorre em proporção um pouco maior nos meninos em relação as meninas. A LLA pode ocorrer em maior freqüência em pacientes portadores de outras doenças, como distúrbios genéticos (síndrome de Down é o exemplo mais comum) ou com imunodeficiência, mas na grande maioria dos casos não há uma explicação causal possível. Irmãos de crianças com LLA têm um risco de 2 a 4 vezes maior de também apresentarem LLA em relação à população geral e este risco ainda se multiplica nos gêmeos idênticos.

PATOLOGIA

Os casos de LLA são subclassificados de L1 a L3 analizando as características das células cancerosas, chamados blastos. Mas necessita-se do exame chamado de biópsia de medula óssea para a total confirmação, cujo material é submetido à exames mais específicos. Alterações do material genético do doente podem ser identificadas em 80 a 90% dos casos.

A maioria dos pacientes com LLA possui doença disseminada ao diagnóstico, com blastos circulando no sangue e com envolvimento do baço, fígado e linfonodos (ínguas). Não existe estadiamento para a LLA, somente classificação celular.

SINTOMAS

Dois terços das crianças com LLA mostram sinais e sintomas da doença num período de um mês até o diagnóstico. Os primeiros sintomas não são específicos e incluem falta de apetite, irritabilidade e fraqueza. Pode haver história associada de infecção viral respiratória ou vermelhidão no corpo que não desaparece completamente. Com a progressão da doença na medula óssea, aparecem palidez, sangramentos não ligados à traumas e febre. Em 65% dos doentes, ao diagnóstico já há comprometimento das ínguas e aumento do baço. Em 25% dos portadores de LLA ao diagnóstico, há dores ósseas e nas juntas devido à doença estar aumentando a pressão dentro dos ossos. Raramente pode haver dor de cabeça e vômitos por envolvimento do cérebro. 66% apresentam massa no mediastino, evidenciada com exame de raio X de tórax.

TRATAMENTO

Os tratamentos podem diferir um pouco levando em conta a idade do paciente e características dos exames de sangue e medula óssea e exames radiológicos. O programa geral de tratamento inclui a indução, onde é administrado a quimioterapia até que a medula óssea não mostre mais células cancerosas e tratamento profilático do sistema nervoso central. Depois é feito a consolidação e a manutenção, tudo com quimioterapia sistêmica durante um longo tempo (mais de 2 anos) para não deixar nenhuma célula maligna escapar.

RECAÍDA

Apesar de todas as drogas e tempo de tratamento não é raro a recaída, isto é, o retorno da doença. Ela pode voltar em vários locais, sendo a medula óssea o mais comum, seguido pelo sistema nervoso central e testículos (nos meninos). Nesses casos de recaída pode-se tentar o uso de outras quimioterapias não usadas no primeiro tratamento ou se possuir doador compatível, realizar o transplante de medula óssea, que seria o tratamento de escolha.

PROGNÓSTICO

A idade do paciente (se menor de 1 ano ou maior de 10 anos), a contagem inicial dos glóbulos brancos no hemograma e a presença de anormalidades cromossômicas influenciam no prognóstico, mas essas características clínicas não são determinantes. Cada vez mais o que interessa é o tratamento utilizado. Os melhores centros de oncologia infantil do mundo curam a LLA numa taxa de até 70%, onde os doentes ficam mais de 5 anos livres da doença.


 

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